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GLOSSÁRIO

 

Técnico social : Tendo por objectivos (1) ajudar a dar resposta a problemas psico- sociais e (2) intervir junto do indivíduo e/ou da comunidade, o técnico social pode ser um psicólogo, um assistente social, um médico, um animador social, etc. Frequentemente, face à complexidade das situações sociais relativamente às quais é chamado a intervir, este técnico sente-se emparedado, impotente, divido e preso de lealdades, poderosas e conflituais. Diversamente triangulado, frequentemente num registo de coligação, este técnico tem tendência a dar respostas parcelares, que procuram responder à urgência mas que não ajudam o sistema a reorganizar-se, estruturalmente, nem permitem a transformação dos equilíbrios inter-sistémicos entretanto desenvolvidos.

Reenquadrar: Operação pela qual o técnico comunica ao(s) sujeito(s) uma nova visão do problema. Esta nova visão não é, necessariamente, mais correcta do que a do(s) sujeito(s) em dificuldade, nem é, tão pouco, a verdadeira; é, apenas, uma visão diferente e, por isso, útil. A sua utilidade advém, então, da possibilidade de gerar novas comunicações e de fazer surgir novas informações que permitirão desbloquear a capacidade que todos os sistemas têm de se desenvolverem e de irem resolvendo criativamente as sua dificuldades.

Urgência: Situação que exige uma resposta imediata que resolva o problema no quadro do funcionamento habitual do sistema. Inesperada e muitas vezes dramática, esta situação provoca enorme stress ao sistema, bloqueando-lhe as suas possibilidades de resolução do problema. Torna-se, pois, necessária uma resposta urgente que alivie o sistema. A mudança a introduzir é, então, apenas uma mudança de 1ª ordem, isto é, não implica uma reor ganização estrutural do sistema.

Há situações de urgência que, posteriormente, se podem transformar em crise. Há também situações que, ao aparecerem, evidenciam uma dimensão de urgência quando, na realidade, elas são apenas o lado visível da crise. Nestes casos, o técnico deve começar por responder à urgência mas deve também, logo que possível, reenquadrar a situação no sentido de, conjuntamente com o sistema, identificar outros aspectos que necessitam ser modificados para que ele possa continuar a desenvolver-se e a funcionar satisfatoriamente.

Crise: Situação em que está perturbada a adaptação e o equilíbrio interno ou externo do sistema. A sua resolução implica uma transformação qualitativa, com claras repercussões ao nível do arranjo estrutural do sistema, que convencionou designar-se por mudança de 2ª ordem.

Lealdade: Sentimento de solidariedade e compromisso que unifica as necessidades, expectativas, pensamentos e sentimentos de vários elementos do sistema. Na lealdade invisível o sujeito não tem conhecimento do conjunto de dívidas e obrigações que estruturam as ligações.

Triangulação: Acção através da qual os elementos do sistema ficam inseridos num ou mais triângulos relacionais.

Triângulo: Configuração interaccional composta por três elementos que se constitui como o menor dos sistemas de relação interpessoal estável. Segundo alguns autores, o triângulo constitui a base de qualquer sistema emocional.

Coligação: Propriedade dos triângulos relacionais que se consubstancia na aliança de dois elementos do sistema contra um terceiro. Dado que a aliança é meramente funcional, no sentido de aumentar o poder dos elementos ligados e de diminuir o poder do terceiro elemento, a sua duração termina quando a deixa de ser necessária. O registo conflitual que lhe está subjacente torna difícil a triangulação, por parte do técnico, dado que qualquer um dos três elementos vai tentar aliar-se a ele de modo a não modificar o equilíbrio sistémico existente. A equidistância do técnico só é habitualmente possível através de um reenquadramento que introduza uma nova visão e, consequentemente, uma nova pontuação.

Equilíbrio inter-sistémico: Equilíbrio existente entre vários sistemas, tais como a família, a escola, o centro de saúde, a comissão de protecção de menores, a acção social, etc., e que determina que o equilíbrio intra-sistémico seja configurado e alimentado no quadro das relações existentes entre os vários sistemas.

Sistema: Conjunto de elementos em interacção constante e recíproca, ordenados segundo determinadas regras e formando um todo organizado. Os sistemas podem subdividir-se em unidades mais pequenas, que integram o sistema e têm as mesmas propriedades que este possui, e que se designam por subsistemas. Pelo contrário, o supra-sistema é uma unidade sistémica mais vasta que engloba sistemas e subsistemas interligados entre si numa relação vertical.
De acordo com a focalização que é feita, o sujeito pode ser entendido como um sistema ou como um subsistema.

Mudança: Processo pelo qual ocorrem, no sistema, modificações quantitativas ou qualitativas. Em função da retroacção recebida e de acordo com os seus próprios objectivos e finalidades, o sistema realizará as modificações que considera necessárias à sua própria evolução.

Mudança de 1ª ordem: Alterações com características puramente correctivas e que, por isso mesmo, garantem que o funcionamento do sistema permaneça constante. Nesse sentido, concorrem para manter o status quo do referido sistema.

Mudança de 2ª ordem: Mudanças que implicam alterações qualitativas no sistema. São, pois, transformações irreversíveis que têm como finalidade promover novas formas de funcionamento, mais adequadas às suas exigências e às do meio.

Reorganização estrutural do sistema: Enquanto modelo de relações do sistema, a sua estrutura pode ser definida como uma rede invisível de necessidades funcionais que definem a forma como os elementos do sistema interagem. A reorganização estrutural do sistema visa, então, a alteração das dinâmicas estabelecidas com vista ao desenvolvimento de novas regras e de novas comunicações.

Pontuação: Estruturação e organização que os elementos que estão em comunicação fazem relativamente a uma sequência contínua de mensagens e comportamentos. A forma como se pontua um processo de comunicação define o significado da mesma, assim como a forma de avaliar o comportamento de cada um dos comunicantes. Muitas das dificuldades e disfuncionamentos da comunicação resultam de uma pontuação discordante.

Pontuação discordante: Pelo facto de os parceiros de uma comunicação possuírem informações diferentes ou pontos de vista divergentes, a pontuação de ambos é distinta e a comunicação disfunciona-se.

Papéis complementares: No modelo de comunicação complementar, os sujeitos assumem posições interactivas que se baseiam na amplificação das suas diferenças. Desta forma, os seus comportamentos encaixam-se e completam-se.

Comunicação complementar: Modelo de comunicação baseado na amplificação das diferenças existentes entre os comunicantes. Desta forma, os seus comportamentos encaixam-se e completam-se, definindo-se uma posição one down (posição inferior na qual o indivíduo ajusta o seu comportamento ao do parceiro e responde à sua iniciativa) e uma posição one up (posição na qual o indivíduo dirige e detém a responsabilidade da interacção relativamente ao seu parceiro). Na complementaridade rígida as posições one-up e one-down fixam-se rigidamente definindo díades opostas cuja relação se mantém estável.
Figura de vinculação: Figura particular que confere protecção e segurança através dos cuidados e da atenção que dispensa ao elemento vinculado. A primeira figura de vinculação, ou figura de vinculação principal, é a mãe, ou seu substituto. A partir do modelo de relação que se desenvolve entre ela e a criança, e que esta vai interiorizando, define-se, de uma forma relativamente estável, um padrão de vinculação que se estende a outras figuras (pai, avós, colegas, cônjuge, etc.).

Vinculação: Relação privilegiada com uma figura particular que confere segurança e protecção. Nesta interacção desenvolve-se uma relação complementar entre os dois parceiros: a figura vinculada solicita cuidados e atenções que lhe garantam a satisfação das suas necessidades de segurança e protecção e a figura de vinculação tem que ser responsiva, isto é, que tem que ser capaz de compreender e responder adequadamente, através da prestação de cuidados, às solicitações recebidas. Se a figura de vinculação realizar regularmente este papel, a figura vinculada pode desenvolver uma confiança básica que lhe proporciona um sentimento de segurança necessário ao desenvolvimento da actividade de exploração do mundo envolvente. A partir da repetição deste esquema interactivo, a criança interiorizará um modelo particular de vinculação, relativamente estável durante toda a vida. De acordo com a investigação realizada distinguem-se:

A vinculação segura, definida pela procura activa de proximidade e interacção e pela aceitação e afirmação da necessidade de uma relação vinculativa.

A vinculação insegura, caracterizada por uma ligação ténue que sustenta sentimentos de proximidade e segurança poucos fortes e inseguros. No tipo inseguro-evitante, o elemento vinculado despreza a figura de vinculação e evita o contacto com a mesma. No tipo inseguro-ambivalente, o elemento vinculado mostra-se ambivalente, procurando, simultaneamente, a proximidade e o afastamento.

Um último tipo, designado como desorganizado/desorientado, foi encontrado em grupos de crianças consideradas de risco: o comportamento do elemento vinculado caracteriza-se por comportamentos contraditórios, expressões de confusão, desorganização e desorientação, etc.

Desqualificação: Forma de tentar não comunicar mostrando ao Outro que o conteúdo da sua comunicação não interessa.

Pedido latente: Podendo não coincidir com aquilo que manifestamente o sujeito pede quando formula um pedido de ajuda, o pedido latente engloba o conjunto de aspectos que, mais ou menos conscientemente, o sujeito quer mudar.

Coligação transgeracional: Aliança entre dois elementos, de duas gerações diferentes, contra um terceiro. Esta coligação enquadra-se naquilo que Jay Haley designou como triângulo perverso. Neste tipo de triangulação, duas pessoas de níveis hierárquicos diferentes estão coligadas contra uma terceira, assumindo esta aliança a forma de uma transgressão intergeracional. Frequentemente, a aliança com o elemento em conflito é ocultada e/ou negada.

Desconfirmação: Forma de comunicação que nega a existência do Outro na relação.

Escalada simétrica: Forma de distorção do modelo de comunicação simétrico (de maximização das semelhanças entre os comunicantes) em que a interacção é caracterizada pela competição desenfreada entre os intervenientes da comunicação. Os comportamentos sucedem-se irreflectidamente na tentativa de responder, em espelho, ao comportamento do outro. A desigualdade torna-se insuportável, sendo intolerável para ambos a possibilidade de ficar a perder ou em posição inferior.

Jogo familiar: Padrão dinâmico de interacções (que se organizam e evoluem no espaço e no tempo) que encerra as tácticas relacionais usadas pela família. Muitas vezes, estas transacções são ocultadas, o que reforça não só a ligação entre os seus elementos como dificulta a transformação dos papéis.

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